ANÁLISE DE CONTEXTO


SOCIEDADE EM REDE
E CIBERATIVISMO


 O uso das redes sociais em manifestações

 
Gabriel Andrade Dantas de Oliveira e Ricardo Faria da Silva - UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO  - Sistemas de Informação

 
[INTRODUÇÃO - contexto]

O Brasil vive um momento de instabilidade política como jamais vista antes. Contribuiu para esse fato não só a crise econômica, mas também a crise das instituições políticas. 

Nesse contexto, a população vem ganhando destaque ao promover as mais diversas mobilizações de apoio ou protesto às decorrentes tentativas de retomada do antigo equilíbrio alcançado pelo país.

Com o amplo uso das redes sociais, como Twitter e Facebook, a divulgação de notícias e eventos relacionados a esse fenômeno fez com que o interesse e a aderência nas mobilizações crescessem.

O Brasil é o país que mais usa as redes sociais na América Latina, com ênfase ao Facebook: 95% dos brasileiros que possuem alguma rede social estão no Facebook.

Esses dados motivam uma reflexão sobre como a Internet pode afetar a vida de nosso país e mudar nossas formas de relacionamento, servindo como um possível ponto de partida para futuras mudanças.

Dado o tamanho do Brasil na Internet e seu enorme potencial, a reconstrução pós-crise pode ser iniciada por meio de discussões no meio digital, ou partindo deste para o real.

O CIBERESPAÇO

Segundo Leonardo Sakamoto,

“As Tecnologias de Informação e Comunicação, sobretudo as redes sociais da Internet, não são apenas ferramentas de descrição, mas sim de construção e reconstrução da realidade.Quando alguém atua por meio de uma dessas redes, não está simplesmente reportando, mas também inventando, articulando, mudando. Isto, aos poucos, altera também a maneira de se fazer política e as formas de participação social”.

O ciberespaço surge como um espaço ocupado por diversos tipos de sujeitos altamente heterogêneos e multifacetados, capazes de utilizar as ferramentas disponíveis pela tecnologia para uma mobilização e organização de tamanho e intensidade antes nunca vista.

E é justamente esse veículo que mais se aproxima da ideia da liberdade plena, permitindo a esse sujeitos emitir sua opinião e interagir com outros grupos de forma facilitada.

Então abre-se uma brecha para aqueles que não se sentem representados pelo modelo tradicional de comunicação vertical, já que no ciberespaço todas as culturas, disciplinas e discussões se entrelaçam.

Na atualidade, o uso massivo das redes sociais faz com que estas se estabeleçam como novos meios de formação de sociedades.

Por meio das redes, informações podem ser compartilhadas de maneira instantânea, fazendo com que a comunicação aconteça muito rápido e em larga escala, atingindo inúmeras pessoas.

As redes sociais permitem que as pessoas compartilhem seus próprios pontos de vista, ideias e afins, fazendo com que cada um “seja o editor do seu próprio jornal”.

É necessário reconhecer então que as redes sociais têm o poder de conscientizar e colaborar na luta pelas causas sociais com rapidez e abrangência, e de abrir caminhos para a reivindicação dos direitos, em nível ambiental, político e social.

As redes sociais podem originar comunidades de atividade ou interesse, distintamente dos grupos de opinião de imprensa ou das massas de consumo da mídia tradicional [gerados pela cultura de massa].

Dessa forma, quebra-se o monopólio dos grandes meios de comunicação e se inicia um processo de disseminação de informação muito mais democrático, fazendo gradualmente com que a informação dada de forma vertical perca seu espaço para os novos meios.

O ciberativismo aparece então como uma forma de aproveitar esses recursos como um mecanismo de mobilização e enfrentamento político, social e cultural. 

Sandor Vegh conceitua ciberativismo como a utilização da Internet por movimentos politicamente motivados. Para o autor, o ativismo digital possui três categorias de atuação:

(1) está relacionada com a conscientização e promoção de uma causa, com a difusão de informações e eventos quebrando o bloqueio dos meios de comunicação tradicionais hegemônicos, agindo como meio alternativo de informação;

(2)  envolve a organização e mobilização a partir do uso da Internet, tendo em vista uma determinada ação;

(3) [pode estar associada] à ação e reação, com o chamado hacktivismo ou ativismo hacker, que engloba vários tipos de ações, como apoio on-line, invasão ou congestionamento de sites.

Diante destes fatos, podemos ver que o uso da internet, em especial das redes sociais, pode impactar direta e indiretamente em acontecimentos do mundo real.

Movimentos sociais podem ser beneficiados pelo uso das redes, assim como movimentos que nasceram nas redes podem crescer para fora destas.

No entanto, apesar de sua influência, podendo até causar revoluções, deve ficar claro que as redes sociais não são a causa destas, mas sim uma ferramenta que pode ser utilizada como auxílio em diversos pontos, seja para levantar debates, mobilizar pessoas ou organizar manifestações.

São esses instrumentos fornecidos que ampliam a participação democrática da população e permitem uma maior mobilização política.

Portanto, as redes sociais já demonstraram ser preciosas para o exercício da liberdade e cidadania, cabendo a nós, seus usuários, continuar nessa longa caminhada a favor da democracia.

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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO TUTORIAL - SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
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