SUPERANDO DESEQUILÍBRIOS PESSOAIS 
NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO  

 [BERNARDO TORO destaca algumas ações concretas para superação de desequilíbrios sociais e pessoais...]
Não aceitar a responsabilidade pela realidade em que vivemos é, ao mesmo  tempo, nos desobrigarmos da tarefa de transformá-la, colocando na mão do  outro a possibilidade de agir. É não assumirmos o nosso destino, não nos  sentimos responsáveis por ele, porque não nos sentimos capazes de alterálo. 

A atitude decorrente dessas visões é sempre de fatalismo ou de  subserviência, nunca uma atitude transformadora. A formação de uma nova mentalidade na sociedade civil, que se perceba a  si mesma como fonte criadora da ordem social, pressupõe compreender  que os “males” [desequilíbros]  da sociedade são o resultado da ordem social que nós  mesmos criamos e que, por isso mesmo, podemos modificar.


A convivência social, por não ser natural, requer aprendizagens básicas que  devem ser ensinadas, aprendidas e desenvolvidas todos os dias. Esta é 
uma tarefa de toda a vida de uma pessoa e de uma sociedade.

 
As 7 aprendizagens básicas para  convivência social

As 7 aprendizagens básicas para a  convivência social, segundo J. B. Toro (1993),

são:

  • 1a.regra:  Aprender a não agredir o semelhante:  fundamento de todo modelo de convivência  social.
  • 2a.regra:   Aprender a comunicar-se: base da auto-afirmação pessoal ou do  grupo.
  • 3a.regra:   Aprender a interagir:  base dos modelos de relação social.
  • 4a.regra:  Aprender a decidir em grupo:  base da política e da economia.
  • 5a.regra:   Aprender a cuidar de si:  base dos modelos de saúde e seguridade  social.
  • 6a.regra:   Aprender a cuidar do entorno:  fundamento da sobrevivência.
  • 7a.regra:   Aprender a valorizar o saber social:  base da evolução social e cultural.



para obter o texto completo: consulte : http://www.aracati.org.br/portal/pdfs/13_Biblioteca/Publicacoes/mobilizacao_social.pdf

Obs: veja no anexo 1 um texto que trata de cada uma destas aprendizagens.



OS 7 PECADOS CAPITAIS NAS ORGANIZAÇÕES


por Lúcia G. Monteiro

Pensar a empresa seguindo determinado paradigma é útil e adequado, mas pensá-la em termos de valores parece ampliar bastante esta visão e com isso podemos perceber com mais clareza os fatores que influenciam a motivação,isto é, o quanto as pessoas se dão para a empresa.

Percebi que a maioria dos fatos que aconteciam e freavam o crescimento das pessoas na empresa eram os 7 Pecados Capitais.A idéia de pecado não tem conotação religiosa. Pecar vem de "pecare"que significa "errar de alvo ". Sempre que "pecamos", erramos de alvo.

Conhecer quais são os 7 pecados capitais , suas consequências nas organizações , nos relacionamentos e exemplificá-los é o objetivo desta reflexão [que pode contribuir na superação de desequilíbrios no meio profissional].

A IRA :

Tem como sinônimos a raiva, a cólera, agressividade exagerada. Se pararmos para observar, encontraremos nas empresas várias cenas que ilustram esse pecado. As origens da ira podem ser por meticulosidade, por perfeccionismo ou até mesmo por desqualificar nossa capacidade de solucionar problemas bem como a importância desses problemas.

Basicamente a atitude mental que está por trás da ira é "quero destruir’ ou "eu quero e você deve".

Como ficaria esta atitude em termos de gestão ? Como será o processo de tomada de decisão sob o impacto da ira ? Certamente o mais destrutível possível, com ranço de autoritarismo, desrespeito e baixo clima de confiança mútua entre o gestor e sua equipe.. Uma maneira de detectarmos a manifestação da ira é observar a destruição do patrimônio da empresa bem como a expressão facial das pessoas.

Por baixo de toda ira quase sempre detectamos medo: de errar, de expressar-se de outra maneira,de perder espaço,etc. Ao invés de tremer as pessoas atacam para defender-se de seus fantasmas.

A GULA:

No sentido literal, gula é o excesso no comer e beber, na sua simbologia maior significa voracidade.A característica da gula é engolir e não digerir.A gula pode ser entendida como gula intelectual inclusive, o sentido que está por trás da gula é o de estar funcionando abaixo das nossas potencialidades.

A sensação é de que não estamos fazendo tudo que o nosso potencial permite, que estamos vivendo sem atender nossas expectativas. A atitude mental básica é : necessito aprender tudo.

Um exemplo da gula nas organizações é quando compram-se equipamentos de última geração desnecessariamente ou quando os gestores centralizam o processo decisório e as informações visivelmente observado nas mesas cheias de papéis.

A gula vai influenciar tanto nos relacionamentos quanto na produtividade das pessoas.

A INVEJA:

É o desgosto ou pesar pelos bens do outro, a dificuldade de admirar o outro, o sentimento de injustiça .O slogan que define a inveja é : Ele é mais do que eu, também quero" a inveja nos faz perder o contato com nossas reais possibilidades.

Nas organizações podemos entender quando não há apoio das chefias para determinados projetos, quando alguém tenta apagar o seu "brilho", vemos também a procrastinação e os processos de "fritura", geralmente quando o discurso é de um jeito e as ações não são coerentes com ele.

Esses pecados não são claros , não são declarados .
O que deixa a inveja bem caracterizada é a sua expressão pelo comportamento não verbal, o olhar, principalmente.
Não devemos confundir a competição com a inveja. Esta última é um sentimento negativo que pode transformar o processo de competição em algo destrutivo.

O ORGULHO:

É o brio, a altivez, a soberba. A sensação de que "Eu sou melhor que os outros" por algum motivo. Isto leva a ter uma imagem de si inflada, aumentada, não correspondendo a realidade. Surge com isso a necessidade de aparecer, de ser visto passando inclusive por cima de padrões éticos e vendo os outros colaboradores ou colegas minimizados.

Podemos criar a imagem de pavões relacionando-se na empresa o que certamente trás resultados desastrosos. Podemos citar o exemplo de gestores que tomam determinadas decisões por questões de orgulho pessoal ferindo muitas vezes as metas organizacionais mas com o único objetivo de dar vazão a este sentimento.

A AVAREZA :

 Define-se como estar excessivamente apegado a alguma coisa levando a um grande medo de faltar, uma percepção de escassez. A avareza pode ser percebida no cotidiano das empresas levando ao slogan:

"Não tenho confiança em ninguém" logo terei avareza com as informações que me chegam as mãos, com a expressão dos sentimentos e opiniões em relação aos projetos que estou envolvido, etc. 

Economizo pensamentos, sentimentos e ações pois não consigo lidar com a diversidade, com a transparência entrando num clima defensivo. Em termos de gestão de pesssoas podemos apontar a tendência a centralização como gesto avarento nas organizações.

A PREGUIÇA:

É definida como aversão ao trabalho, negligência. Este sentimento faz com que as pessoas desqualifiquem os problemas e a possibilidade de solução destes. A preguiça não se resume na preguiça física mas também na preguiça de pensar, sentir e agir.

A crença básica da preguiça é "Não necessito aprender nada", levando a um movimento freador das idéias e ações dentro das organizações que no cotidiano e traduzido pelo "deixa para depois".
 

A LUXÚRIA:

É definida como uma impulsividade desenfreada, um prazer pelo excesso, tendo também conotações sexuais. Nas empresas este pecado é identificado pelo assédio sexual: em nome da posição hierárquica "Desfruto do poder de dominar."

Aparece com isso a grande dificuldade de relacionamento entre homens e mulheres nos ambientes organizacionais, reforçando heranças culturais arraigadas bem como dificuldades emocionais de expressar a afetividade de forma saudável.
 
Faz-se necessário perceber de forma ampliada os fatores que influenciam a gestão de pessoas nas organizações e o seu grau de maturidade para compreender melhor os processos decisórios, a motivação e a qualidade de relacionamento.

Os fatores culturais, os paradigmas administrativos bem como a saúde emocional das pessoas que trabalham juntas parecem somarem-se num todo coerente e explicativo para o grau de desempenho e competências exigidos no modelo de gestão atua.

Os sentimentos envolvidos nos Pecados Capitais por si só não são negativos. O negativo é alimentá-los e agir sob o efeito deles não combatendo-os nem trazendo novas alternativas de comportamento, minando com isso o crescimento e o fortalecimento das competências dentro das organizações.


Lúcia G. Monteiro é psicóloga, pós graduada pela FGV,Mestranda em Gestão Estratégica, Diretora da VISÃO CONSULTORIA, com experiência em treinamento motivacional de equipes, liderança e diagnósticos. luciagmonteiro@oi.com.br
Fonte: http://www.guiarh.com.br/PAG21H.htm