|
DIRECIONADORES DA INOVAÇÃO
Autor:
Michael Rosemann
professor
e chefe do departamento de Sistema de Informação na Universidade de Tecnologia
de Queensland, Brisbane, Austrália. Seminário Internacional de BPM
Introdução
Organizações de todos os setores estão ávidas por inovação em diferentes
áreas de seu negócio. É uma demonstração clara de que a reação à última crise
financeira global baseada em economia de custos está sendo complementada por
iniciativas proativas rumo ao crescimento expressivo.
Nós definimos genericamente inovação como sendo “uma novidade que produza
valor”. Esta definição não especifica o local de surgimento desta criação, isto
é, de baixo para cima (bottom-up) ou de cima para baixo (top-down),
de dentro ou de fora da organização, de uma dinâmica de geração de ideias ou
resultante de um momento Eureka.
Seguindo uma reduzida classificação de diferentes tipos de inovação, este
artigo tem como objetivo entender os três principais direcionadores da
inovação, a saber: problemas, restrições e oportunidades.
A Gestão da Inovação pode ser considerada como uma capacidade dinâmica
(de transformação) essencial de uma organização. Neste aspecto, é similar à
gestão de projetos/programas ou à gestão da mudança.
Como todas as mudanças organizacionais, as iniciativas de inovação precisam
estar inseridas em um contexto estratégico, ou seja, é preciso haver um senso
de urgência. Esses possíveis direcionadores da inovação podem ser classificados
em três categorias: problemas, restrições e oportunidades.
1. Inovação Direcionada por Problemas
A inovação direcionada por problemas (por exemplo, um gargalo, tempo de
processamento insatisfatório, alto custo de entrega) é o caso clássico em que
uma ideia inovadora e com valor agregado é criada em reação a um problema
identificado.
Em termos de processo, este caso pode ser classificado como um cenário clássico
de melhoria de processo.
A inovação direcionada por problemas pode ser caracterizada como reativa
e dependente do problema a ser manifestado e a ser percebido. Se os problemas a
serem tratados superarem a capacidade da organização de resposta, o foco será
em combater o fogo, deixando pouco espaço para a inovação proativa.
A inovação direcionada por problemas tende a ser inovação voltada para novos
produtos, serviços ou até mesmo modelos de negócio que são comumente derivados
de uma tentativa de consertar uma falha.
Exemplos de problemas como direcionadores da inovação:
- Utilização de
assinaturas eletrônicas para evitar o consumo de papel em processos
administrativos (problema: falta de sustentabilidade);
- Implementação de um
banco de dados de gestão de problemas para evitar incidentes recorrentes
(problema de gestão do conhecimento);
- Terceirização do helpdesk de
TI para um agente externo (problema financeiro/de processo).
Finalmente, uma bem sucedida
inovação direcionada por problemas supera o problema, e seu impacto pode ser
medido pelo grau dos danos que este problema causou. Contudo, na maioria dos
casos, pode-se esperar que as partes interessadas envolvidas [no problema]
estarão mais aliviadas do que empolgadas com o impacto que essa inovação tem na
sua organização.
2. Inovação Direcionada por Restrições
A inovação direcionada por restrições ocorre em casos em que as fronteiras
existentes dentro da organização limitam a capacidade de empreender novas
rotinas. A inovação direcionada por restrições pode ser caracterizada como reativa.
Como reação, a restrição força a organização a identificar e adotar novas
maneiras de gerir os processos de negócio, produtos experimentais e projetos de
serviços. Ao contrário de problemas, restrições não podem ser eliminadas,
mas a organização tem que adaptar-se a elas.
Daí surgiu o conceito de inovação reversa. Neste caso organizações
importam inovações que surgiram a partir de restrições inexistentes em seu
contexto.
Exemplos de restrições como direcionadoras da inovação:
- O desenvolvimento do sistema
bancário para celulares (M-PESA) que foi caso de sucesso no Quênia como
uma resposta inovadora à restrição de acesso às agências bancárias no
país;
- A loja virtual TESCO, na
Coréia do Sul, que inovou a compra em supermercados para clientes que têm
o tempo como restrição. A solução consiste em entrega em domicílio,
smartphones e códigos QR que leem informações de produtos disponíveis nos
hubs localizados em locais públicos, como plataformas de metrô;
Apesar de restrições significarem
limitações, elas podem ser uma fonte de inspiração para inovação uma vez que
exercem pressão sobre uma organização. Organizações com restrições têm potencial
de serem mais inovadoras a aquelas sem restrições, desde que convertam a
necessidade de adaptação em um processo de inovação construtivo e bem sucedido.
3. Inovação Direcionada por Oportunidades
Inovação impulsionada por oportunidades descreve casos em que a inovação surge
não da necessidade, mas da constatação de uma possibilidade. Aqui a compreensão
é de que avanços dentro ou fora da organização podem ocasionar o surgimento e
desenvolvimento de uma inovação.
Ao contrário das inovações reativas direcionadas por problemas e
restrições, a oportunidade como direcionadora de inovação é proativa e
em muitos casos uma opção, não uma necessidade.
Esta forma de inovação exige a compreensão das potencialidades de uso de
oportunidades tecnológicas específicas (por exemplo, mídia social, aplicativos
de celular, identificação por radiofrequência) ou outras oportunidades (por
exemplo, precificação baseada no uso, comercialização de recursos ociosos) em
capacidades.
Exemplos de inovações direcionadas por oportunidades:
- Curtis Kimbell, dono da
Creme Brulee Cart em São Francisco, que utiliza o twitter para tornar suas
vendas mais sensíveis à localização twitando seu atual paradeiro para os
mais de 22.000 de seguidores.
- Coleiras eletrônicas para
gado monitoradas via satélite que permitem controlar a fuga do gado,
enviando um pequeno choque elétrico quando os animais saem do perímetro
definido, um caso a ser observado pelas emergentes redes nacionais de
banda larga.
A inovação direcionada por oportunidades ocorre quando uma organização entende
como capitalizar potencialidades tecnológicas de uso emergentes.
Um exemplo comum é a capacidade de a tecnologia para celular fornecer
informação baseada na localização – que pode fornecer a “capacidade de
localizar” em uma inovação emergente. Se este potencial é ou não utilizado é
uma questão de tempo, a oportunidade está disponivel.
OBS:- Trabalho apresentado no Seminário Internacional de BPM
para obter o artigo completo consulte: www.bpmglobaltrends.com.br
Texto adaptado para os propósitos da disciplina Gestão da Inovação.
|