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CULTURA ORGANIZACIONAL (Cultura Empresarial)
Cultura da Organização Empresarial e Modelos de Gestão Poderia uma organização ser neutra em termos de valores sócio-culturais? Penso que não, pois uma organização é, antes de qualquer coisa, um conjunto de indivíduos que trazem valores e mentalidades articuladas em outros e diversos meios sociais, em relação ao da empresa. Isso jamais deve ser negligenciado por aqueles que lidam com o capital humano (recursos humanos) em uma organização. De um país para outro, e até mesmo de uma cidade para outra observam-se diferenças culturais cujo impacto sobre a estrutura e produtividade das empresas é considerável. Por exemplo, percebeu-se que entre um operário e um diretor de produção, em uma indústria de maquinas francesa, havia cerca de quatro níveis hierárquicos, ao passo que na mesma empresa, sediada na Alemanha existiam, em média, dez níveis hierárquicos. Assim sendo, entendemos que de um povo para outro as crenças, normas, valores, práticas sociais, estilos de vida cotidiana, formas de afeto - ou em uma palavra - a cultura: variam consideravelmente; tais diferenças se manifestam então na maneira como os indivíduos e os grupos irão se inserir e atuar na empresa, como irão se relacionar entre si, como vivenciarão as relações decorrentes do trabalho. De fato, como a cultura, varia no tempo (historicamente) e no espaço (geograficamente), acarretando um novo conjunto do contexto social isto repercute sobre as práticas organizacionais, ou entre outros termos: através da cultura a sociedade influencia as organizações. Deste modo, as estruturas econômica, religiosa, educacional, política, que influenciam na cultura , podem interferir, também, na produtividade e nas relações de trabalho das empresas. Cultura e Estilos de gerenciamento Um exemplo de como uma organização deve se adaptar aos contextos específicos é mostrado a seguir: o gerenciamento à americana, do modo como é colocado pelas ‘business school’ baseia-se em valores culturais que estão distantes de serem universais, tais como competição acirrada entre indivíduos, aceitação do risco, busca pelo sucesso individual. Apesar disso tais valores são os fundamentos dos modelos de negócios, que devem ser guiados por objetivos de lucros acima de tudo. Acredita-se que podem então ser aplicados a qualquer empresa: grande ou pequena, em qualquer tipo de sociedade. Em países latinos, incluindo o Brasil, existe uma forte tradição para se considerar prioritariamente o status e as insígnias da pessoa (diplomas, interações próximas com superiores, o fato de pertencer a uma categoria de prestígio) e secundariamente as qualidades e capacidades na organização. Assim, as relações humanas são estruturadas de forma rigidamente vertical. Em muitos casos, sobretudo nas pequenas e médias empresas, a idéia de multiplicidade de comando é bizarra. No que se refere ao Oriente, sobretudo o Japão, fica bem evidente a dificuldade que existe em encontrar regras e métodos de estruturação empresarial universais. Ali, de modo amplo, os papéis de cada um, os resultados a alcançar e principalmente os modos de recompensa, de punição ou de promoção são formalizados pormenorizadamente. Entretanto os espaços e os departamentos não são delimitados com precisão, o que possibilidade uma gama enorme de contatos laterais. Desta forma, nota-se que neste contexto o sistema de ‘management’ (gestão) é a um só tempo muito participativo e muito repressivo. O meio-termo é que deve ser buscado: não é preciso atribuir ‘territórios feudais’ a chefes ou diretores absolutos - tal como é típico da tradição íbero-latina - nem favorecer a cega concorrência entre as pessoas, colocando as interações humanas sob tensão constante, como acontece na tradição anglo-saxã e americana; o indivíduo deve aderir aos pressupostos empresariais sutilmente, se inserir na organização emocional e intelectualmente, e não por mera ‘obrigação’ e/ou vínculo empregatício. No nível psicológico pode-se dizer que tais diferenças organizacionais tem seu fundamento no valor que os sujeitos atribuem ao seu trabalho: o japonês típico se entrega completamente à empresa na qual trabalha, passando a maior parte da sua vida neste âmbito. Sua dedicação é quase religiosa. Para o norteamericano a empresa é o espaço onde o indivíduo pode se realizar, manifestar suas capacidades, competir com outros e se sobressair entre eles; também é onde pode vencer ou fracassar - não há meio termo. É também o espaço, por excelência, da iniciativa, do arrojo. Para os povos latinos - de modo generalizado - uma empresa é um local onde ele pode ganhar dinheiro para seu sustento e/ou para adquirir bens e status; o essencial de sua realização afetiva não passa por ali, mas encontra-se na família, num time de futebol, numa religião, no carnaval, no folclore. Espera da organização estabilidade financeira para si e para sua família, uma proteção material, e em troca oferece seus serviços, executando tarefas pré-estabelecidas e hierarquicamente organizadas. Geralmente tais atividades são rotineiras, e não exigem ou não permitem a livre expressão do pensamento e da iniciativa. A mentalidade anglo-saxônica marcou profundamente as estruturas das organizações em todo o mundo, ou seja, tal cultura empresarial expandiu-se devido às dominações de ordem geopolítica e/ou econômica. Definitivamente, a cultura é o que confere aos indivíduos a possibilidade de se comunicarem entre si e de desempenharem um papel (entre tantos outros que desempenham numa sociedade) dentro de uma organização. Se os arranjos estruturais internos das empresas variam de país para país, e até mesmo de região para região dentro de um grande país como o Brasil e os Estados Unidos, é porque os estímulos e determinações dados culturalmente são diversos. Concluindo, o que a moderna organização empresarial precisa fazer é elaborar uma resposta específica - na forma de ação - para que seja operacional numa dada cultura, se orientando pelos modos locais de viver e de pensar e adaptando à sua proposta de ação as práticas e concepções vindas da cultura onde está situada. OBS:- Texto adaptado para os
propósitos da disciplina Gestão da Inovação
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