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PAINEL
CONCEITOS DE INTELIGÊNCIA APLICADA
Daniela Ramos Teixeira é Especialista em Marketing e Negócios pela Universidade
da Califórnia, Santa Barbara (UCSB-EUA) com graduação em Propaganda e MKT pela
ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
As
Inteligências: arsenal de competitividade e conhecimento para vencer a
guerrilha empresarial
[O tema] Inteligência vem ganhando seguidores cada vez mais fiéis, sendo
crescente o número de organizações que investem em práticas de Inteligência:
Organizacional, Empresarial ou de Negócios e Competitiva.
Como o assunto é relativamente novo, principalmente no Brasil, o mercado,
muitas vezes, ainda confunde Inteligência Organizacional, Inteligência
Empresarial (Inteligência de Negócios), Inteligência Competitiva,
infra-estrutura de Business Intelligence (BI) e Análise Big Data.
As Inteligência(s): Organizacional, Empresarial, Competitiva,
infra-estrutura de BI – mas qual é a diferença?
1.
Inteligência Organizacional
Podemos
definir o conceito de Inteligência Organizacional como a capacidade de uma
corporação como um todo de reunir informação, inovar, criar conhecimento e
atuar efetivamente baseada no conhecimento que ela gerou.
O emergente conceito de Inteligência Organizacional integra diversos níveis de
inteligência individual, de equipe e organizacional em uma
estrutura para criar empresas inteligentes.
A Inteligência Organizacional é o somatório dos conceitos de inovação,
criatividade, qualidade, produtividade, efetividade, perenidade, rentabilidade,
modernidade, inteligência competitiva e gestão do conhecimento.
2.
Inteligência Empresarial (Business Intelligence - BI)
Já a
Inteligência Empresarial (Business Intelligence ou Inteligência de Negócios) é
a capacidade de uma empresa para capturar, selecionar, analisar e gerenciar as
informações relevantes para a gestão do negócio com o objetivo de:
- Inovar e criar conhecimento.
- Reduzir riscos na tomada de decisão e evitar surpresas.
- Criar oportunidades de negócios.
- Apoiar o desenvolvimento de produtos/serviços com uma base de informação
confiável, eficiente e ágil.
- Monitorar, analisar e prever, eficientemente, as questões relacionadas ao
core business.
- Gerar valor aos negócios.
A Inteligência Empresarial pode ser concebida como o resultado de uma evolução
como função híbrida do planejamento estratégico e das atividades de pesquisa de
marketing.
Portanto, a Inteligência Empresarial (Business Intelligence ou Inteligência de
Negócios) não se limita à tecnologia, assumindo posição de destaque na tomada
de decisão estratégica de diversas categorias de usuários como executivos,
gerentes e analistas.
Já a infra-estrutura de Business Intelligence (BI) compreende: a extração, data
warehouses, data marts e ferramentas para gerenciamento da informação e análise
de dados como o data mining.
A Inteligência de Mercado ou Competitiva (IC), detalhada a seguir, é parte da Inteligência
Empresarial e engloba, principalmente, informações sobre o mercado e a
concorrência.
CASE: A
IVECO (FIAT), fabricante de caminhões, ônibus e veículos comerciais, decidiu mudar a
metodologia de cruzamento de dados e começou a mapear também informações sobre
o negócio de seus clientes, como, por exemplo, quais são os produtos que os
clientes mais carregam nos caminhões, que tipo e modelo de veículos são mais
utilizados em cada região e por que razão, quais produtos são mais
comercializados no momento etc.
Com essa
iniciativa, a IVECO investiu em uma mudança no foco do negócio, priorizando as
necessidades do cliente e do negócio do cliente, ao contrário da visão
tradicional do mercado, já utilizada pela empresa e com foco no produto. Dentre
os resultados, a área de Inteligência Empresarial identificou tendências e
oportunidades de negócios, antecipando necessidades específicas dos
clientes.
3.
Inteligência Competitiva
A SCIP (Society of Competitive Intelligence Professionals) define Inteligência
Competitiva como um programa sistemático e ético para coleta, análise e
gerenciamento de informações externas que podem afetar os planos, decisões e
operações de uma empresa.
Como a teoria é, muitas vezes, diferente da prática no ambiente empresarial, a
área de Inteligência Competitiva acaba abrangendo muito mais do que informações
externas (mercado e concorrência), sendo responsável por demandas que incluem
desde dados quantitativos e performance de produtos ao mapeamento inteligente
de clientes.
Há outras técnicas de IC (Inteligência Competitiva), como a análise de
Win/Loss, que podem trabalhar em conjunto com o sistema e as ferramentas de BI
(Business Intelligence), contribuindo na validação dos dados do BI e no maior
direcionamento estratégico da empresa com respostas rápidas ao mercado.
A análise de Win/Loss de clientes é muito útil em mercados altamente
competitivos. Essa técnica faz um levantamento da perda/ganho de
contratos/clientes da empresa em relação à concorrência.
Um gigante da indústria de TI, com atuação em software, hardware e serviços,
utiliza a análise Win/Loss há alguns anos. São mapeados dados como segmento do
prospect, produtos/serviços que foram solicitados na proposta comercial,
faturamento da perda/ganho por cliente e principais razões das perdas/ ganhos
de contratos.
Como resultados, a empresa tem uma maior compreensão das disputas comerciais,
além de identificar os pontos fortes e fracos da empresa e concorrentes.
Entretanto, esse trabalho só é possível se houver o envolvimento e o comprometimento das equipes
de vendas (pré-vendas e projetos) com a área de Inteligência Competitiva.
É importante a percepção das empresas de que a Inteligência Competitiva (IC)
vai muito além do monitoramento da concorrência/mercado e da análise estática
de posicionamento (defendida por Michael Porter), assumindo um caráter muito
mais estratégico para as empresas.
Ao contrário do que muitas empresas entendem por Inteligência Competitiva, seu
diferencial permeia muito mais no campo de identificar oportunidades para as
empresas e de não perder o foco no futuro do que em ações imediatistas, de
curto prazo. Nesse sentido, ganha poder de fogo as empresas que trabalham com
cenários prospectivos e analíticos e que conseguem colocar na prática o
conhecimento adquirido na necessária visão de futuro.
Para concluir, numa análise macro das ‘Inteligências’, se levarmos em
consideração que o objetivo da Inteligência é transformar informação subjetiva
e desagregada em vantagem competitiva para agregar valor aos negócios, é
natural que qualquer área possa construir a sua base de Inteligência.
As Inteligências (Organizacional, Empresarial, Competitiva, sistema de BI) são
complementares e, juntas, formam o arsenal de competitividade e conhecimento
para a tomada de decisão tática (presente) e estratégica (futuro). Os ganhos
são imensos e direcionam a empresa rumo à inovação, à agilidade e à geração de
valor aos negócios.
Artigo publicado em:
http://www.ibramerc.org.br/itemBiblioteca.aspx?id=514
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