COMPUTAÇÃO COGNITIVA

 

(*) Cezar Taurion é CEO da Litteris Consulting, autor de seis livros sobre Open Source, Inovação, Cloud Computing e Big Data


[INTRODUÇÃO]

Os sistemas cognitivos são o resultado da convergência de avanços significativos em vários ramos da ciência da computação, como hardware (processadores e storage mais poderosos e baratos), processamento de linguagem natural, “machine learning, como redes neurais”, reconhecimento de padrões, etc. 

Os sistemas  cognitivos têm o potencial de criar rupturas nas empresas e na sociedade, mudando inclusive a natureza do trabalho. Não apenas as tarefas explicitas podem ser automatizadas, mas tarefas tácitas (um veiculo autônomo, por exemplo, pode dispensar motorista). 

O vetor resultante cria um impacto potencial significativo na nossa sociedade. TI, por exemplo, deixará de ser apenas prestador de serviços de automação baseados em sistemas determinísticos, mas com aplicações “inteligentes” contribuirão diretamente para operações mais sofisticadas do negócio.

Atividades realizadas hoje por indivíduos, como o atendimento em call center e o suporte administrativo, podem ser inteiramente substituídos por estes sistemas. Também não seria inimaginável pensar que diversas tarefas ligadas a setores como educação, direito e saúde também poderiam ser efetuadas por sistemas “inteligentes”. 


APLICAÇÃO NA ÁREA DA SAÚDE

Alguns exemplos de como isto está começando a se tornar realidade podem ser vistos no texto do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center

O exemplo da computação “inteligente” ajudar no diagnóstico médico muda nossa maneira de ver as coisas. O sistema auxilia no diagnóstico acessando mais de 600 mil relatórios de evidência médica, dois milhões de páginas de texto de 42 publicações especializadas em câncer e 1,5 milhão de registros e exames de pacientes. 

O sistema compara cada sintoma de cada indivíduo, sinais vitais, histórico familiar, medicamentos já aplicados, genética e rotina diária como alimentação e exercícios para diagnosticar e propor um plano de tratamento específico. Muito difícil a qualquer médico conseguir analisar tal volume de informações para cada paciente. 


APLICAÇÃO NA ÁREA DE DIREITO 

Na área do direito um sistema cognitivo pode analisar milhões de casos precedentes para descobrir e recomendar uma linha de ação. Talvez não seja mais necessário uma legião de estagiários para fazer tal tarefa...


SISTEMA WATSON

Na verdade, um sistema complexo como Watson não é uma implementação plug-and-play como os prospectos comerciais tendem a mostrar. Demanda a preparação de um ecossistema que envolve atividades de pesquisa (coleta de novas informações), curadoria de conhecimento (filtrar o que é relevante para o domínio do conhecimento) e, naturalmente, análise e interação com o sistema. É um processo de evolução incremental, com constante aperfeiçoamento dos próprios algoritmos aplicados.

 Mas há dez anos tal tarefa era considerada fora do escopo da computação e agora estamos discutindo qual seu grau de eficiência. Um avanço e tanto!

 O desafio é que as mudanças acontecem em ritmos cada vez mais acelerados. Há uns 20 anos atrás apenas 3% da população mundial tinha celulares e uma ínfima parcela de 1% acessava a Internet. Há dez anos não existiam iPhone, iPads, Facebook, YouTube e Twitter. O fato do Watson não acertar tudo  não significa que daqui a poucos anos sua margem de acerto não será imensamente maior.

 Nesta e nas próximas décadas os executivos de negócio devem compreender e usar a tecnologia como força de ruptura nos seus negócios. O mundo evolui na velocidade da Internet e tentar se segurar com a ilusão que “meu negócio é estável e não vai mudar, pois não mudou nos últimos anos”, provavelmente não o protegerá da inevitável transformação. A combinação do efeito de múltiplas tecnologias que evoluem rapidamente afetará todas as empresas e criará mudanças significativas na natureza do trabalho atual. 

Novas capacitações serão requeridas e novos modelos de negócio surgirão. Estamos nos preparando?

  FONTE: http://cio.com.br/tecnologia/2014/10/07/preparado-para-a-era-da-computacao-cognitiva/


O PROJETO WATSON 

Expansão do invento da IBM para outros idiomas fortalece o Watson Group

Divulgação

Em 2011, Watson ganhou o Jeopardy!, um famoso programa norte-americano que testa os conhecimentos gerais dos participantes

Em 1999, a IBM publicou um encarte de oito páginas no The Wall Street Journal apresentando as bases do e-business, ou, em bom português, o negócio eletrônico. 

Recentemente, a IBM faz um anúncio que para Fábio Gandour, cientista-chefe da unidade brasileira da empresa, é tão ou mais importante do que aquele do passado, principalmente para o Brasil, que passa a fazer parte dessa revolução.

O Watson, máquina da IBM que funciona a partir da computação cognitiva, já chegou ao Brasil. Sua vinda, porém, não é física, mas virtual, uma vez que a invenção é composta por software e também por equipamentos de hardware espalhados pelos data centers da IBM.

A chegada do Watson ao Brasil tem uma explicação simples: para atender a empresas nacionais, a máquina já aprendeu português e também espanhol. Os dois idiomas latinos são os primeiros a serem aprendidos pelo supercomputador, que originalmente só fala inglês norte-americano.

À medida que se torna poliglota, Watson amplia o alcance das suas soluções empresarias, um dos principais interesses da IBM. Desde o início do ano, a Big Blue possui uma divisão de negócios chamada Watson Group com serviços que funcionam a partir da inteligência artificial do supercomputador.

Watson Group

Hoje, o Watson Group se divide em três: Engagement Advisor, Explorer, Discovery Advisor. Cada uma dessas três soluções faz uso do conhecimento do supercomputador e da sua capacidade de aprendizado de uma forma própria.

O Engagement Advisor, por exemplo, ajuda a empresa a conhecer melhor as necessidades dos seus clientes automatizando algumas interações. Com esse serviço implantado em um call center, por exemplo, uma companhia pode direcionar as perguntas mais frequentes de seus consumidores ao supercomputador. 

O Watson é capaz de aprender a dar as respostas mais adequadas às perguntas frequentes dos clientes usando a linguagem natural, ou seja, falando como um humano.

O Watson Explorer, por sua vez, é o serviço que coloca o supercomputador para fazer buscas para as empresas em sua própria base de dados. Sua enorme capacidade de processamento atrelada a sua habilidade de combinar busca por conteúdo, análise de dados e computação cognitiva faz do Watson um excelente pesquisador.

Por fim, o setor de Discovery Advisor ajuda as empresas a fazer do supercomputador um dos seus melhores pesquisadores cruzando o conhecimento do próprio Watson com aquele que foi gerado pela empresa, apresentando resultados de cunho estatísticos.

Para Gandour, bancos são exemplos de empresas que podem se interessar por esse tipo de solução. Em vez de perguntar para o gerente qual é o melhor investimento, o cliente poderia conversar com o Watson, que faria perguntas sobre o montante e o prazo, por exemplo.

Em seguida, o supercomputador dá ao consumidor a resposta mais imparcial possível, interpretada de uma forma puramente matemática. A decisão final, porém, deve ser sempre do cliente, segundo alerta Gandour.

OBS:- COMO TORNAR WATSON POLIGLOTA

Ensinar português e qualquer outra língua para o Watson não é algo que se faça da noite para o dia. Além de aprender 300 mil palavras do idioma – mais do que o dobro do que os linguistas afirmam ser necessário para um ser humano ser considerado fluente –, o supercomputador precisa ser capaz de compreender não apenas os significados das palavras (semântica), mas também as regras que regem as construções das frases (sintaxe).

Watson ficou famoso em 2011

O nascimento de Watson remonta ao ano de 2003, mas foi em 14 de fevereiro de 2011, como gosta de lembrar Gandour, que o supercomputador foi a público mostrar algumas das suas potencialidades. Nesta data, Watson participou de um famoso show de perguntas de conhecimento geral dos Estados Unidos chamado Jeopardy, do qual saiu vencedor. Desde então, Watson vem sendo usado em projetos na área de saúde, em experimentos com gastronomia e, recentemente, em soluções para empresas e governos.

Nas palavras da própria IBM, Watson é uma tecnologia cognitiva que processa informações mais como um humano do que como os computadores com os quais estamos acostumados a lidar no dia-a-dia. Formado por hardware e software, Watson compreende a linguagem natural, ou seja, dos humanos, e por isso não apenas fala como é capaz de gerar hipóteses baseado em evidências. 

À medida que interage, seja com usuários ou com informações, Watson aprende e fica ainda mais inteligente pois seu processamento funciona a partir de um modelo de programação recursiva. "É mais ou menos assim: cada vez que o programa roda, e ele roda várias vezes, ele próprio se modifica com o que aprendeu", resume Gandour.

Dados não-estruturados

De acordo com Fábio Gandour, para criar essa inteligência artificial, Watson se alimenta de dados não estruturados, que durante anos foram considerados pelos especialistas em computação como “lixo”.

Grande parte dos dados com os quais lidamos diariamente via computadores e dispositivos móveis são do tipo estruturado. Ou seja, possuem uma lógica própria e certa previsibilidade, enquanto os dados desestruturados são probabilísticos.

“Na computação tradicional, determinística, 2+2 é 4, mas na computação cognitiva existe uma alta probabilidade de que 2+2 seja 4, mas não há como garantir”, afirma o cientista.

Enquanto um computador tradicional é capaz de pegar informações estruturadas e organizá-las na forma de um extrato de banco, por exemplo, a computação cognitiva de Watson é capaz de compreender diferentes receitas de torta de maçã e, a partir disso, criar novas receitas. Uma receita de torta de maçã é um dado desestruturado, pois não tem uma lógica contínua.

fonte: http://tecnologia.ig.com.br/especial/2014-10-17/watson-o-computador-que-aprende-vai-falar-portugues.html