GUERRA
PSICOLÓGICA
ADRIANA
KÜHN - Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul - Faculdade de
Comunicação Social
OPERAÇÃO PSICOLÓGICA
(psyops)
O Exército Nacional define como operações
psicológicas
[...] todos
os procedimentos técnico-especializados, operacionalizados de
forma sistematizada para apoiar a conquista de objetivos
políticos e/ou militares e desenvolvidos antes, durante e
após o emprego da força, visando a motivar
públicos-alvo amigos, neutros ou hostis a atingir
comportamentos desejáveis.
Ou seja, a operação psicológica, no Brasil,
é uma atividade que demanda profissionais especializados na
produção de material específico para esse fim.
Além
disso, segue uma sistemática prevista e planejada de acordo com
as
diretrizes do Comando de Operações Terrestres,
órgão responsável pelas psyops do Exército
Brasileiro. Nesta visão, a operação
psicológica é realizada antes,durante e após o
emprego da força militar.
Para o Exército dos Estados Unidos, operações
psicológicas são
[...] programas de produtos e ações planejados para
transmitir determinadas informações e indicadores a
públicos estrangeiros com o objetivo de influir nas suas
emoções, atitudes, opiniões e, particularmente, no
comportamento de governos, organizações, grupos e
indivíduos não pertencentes aos EUA.
Diante destes conceitos, é possível perceber a
existência de um objetivo único: a mudança de
comportamento do público-alvo. Segundo Brant (1967), as psyops
consistem essencialmente na produção de mensagem com o
propósito de abalar a moral do inimigo e abreviar as
operações bélicas. Ou, de acordo com Linebarger
(1962), visa obter vantagens militares sem a utilização
da força física.
O conceito “operação psicológica”
é também referido como informação
pública, guerra de mando e controle e, até mesmo,
propaganda. No Brasil, são utilizados os termos
operação psicológica para as
situações de paz, e guerra psicológica para as
ações de comunicação em ambientes de
conflito militar.
As
operações psicológicas podem ser classificadas em
função do público alvo e do nível de
planejamento e condução.
Em
função do público-alvo, podem ser divididas em operações
psicológicas coesivas, ou seja, aquelas dirigidas a uma
audiência neutra, com a finalidade de ganhar crédito,
entendimento, amizade e confiança; e operações psicológicas
divisórias, ou seja, voltadas a uma audiência
hostil, com a finalidade de influenciar a moral, criar apatia e
discórdia, além de promover a deserção,
subversão e rendição.
Em
função do nível de planejamento e
condução, as operações psicológicas
se classificam em:
a) Atividades
Psicológicas Estratégicas (SPA): atividades
planejadas em
contextos de paz, crise e guerra, as quais têm como objetivo
ganhar o apoio e a cooperação de países amigos e
reduzir a capacidade dos países hostis à guerra.
Este tipo de operação, geralmente, se dá em
nível de governo nacional.
Normalmente, os objetivos são de natureza política e
acontecem em longo prazo.
b) Atividades de
Consolidação Psicológica (PCA): atividades
psicológicas
planejadas em contexto de crise e guerra, voltadas à
população civil de áreas sob o controle amigo.
Têm como objetivo principal conseguir o apoio do
público-alvo aos objetivos militares.
c) Atividades
Psicológicas no Campo de Batalha (BPA): atividades
psicológicas planejadas e conduzidas como parte integral das
operações de combate, tendo como meta pressionar as
forças inimigas e a população civil sob controle
adversário. O planejamento deste tipo de operação
se dá em tempo de paz e sua execução é
iniciada com o começo das hostilidades. A BPA tem como
finalidade cooperar com a promoção dos objetivos
táticos e operacionais, além de acabar com a
potência de combate inimiga mediante o desgaste da moral de suas
tropas e a diminuição da predisposição da
população civil em apoiar as operações
inimigas.
d) Atividades
Psicológicas em Apoio à Paz (PSPA): atividades
Psicológicas planejadas e dirigidas como parte integral das
operações de apoio à paz. Seu objetivo é
criar uma atmosfera de apoio e vontade de cooperação
entre as partes em conflito e a população civil na
área de operação, bem como colaborar com a
proteção da força e o cumprimento da
missão.
A operação psicológica trabalha, assim, com a
administração da percepção humana, tendo
como base as mais diversas teorias
acerca do controle da mente.
Em linhas gerais, estes estudos estão baseados na premissa de
que uma fonte exterior pode controlar o pensamento, o comportamento ou
a percepção das pessoas. Ou seja, trata-se do chamado
“poder das idéias”, entendido como a capacidade de
persuadir ou manipular a mente humana.
Propaganda e desinformação
Como afirmado, a operação psicológica tem como
objeto a mente humana, como estratégia a persuasão e como
instrumento a comunicação.
Entretanto, para ampliar o arcabouço teórico, é
válido refletir ainda acerca de
suas formas clássicas de expressão: a propaganda e a desinformação.
Mesmo que o
conceito de operação psicológica seja bastante
amplo, uma vez que inclui ações políticas,
diplomáticas, econômicas e militares, a propaganda
desempenha um papel fundamental na sua aplicação.
Paul Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista de Adolf Hitler na
2ª Guerra Mundial, ficou conhecido pela exploração
desta ferramenta. Segundo ele, a propaganda deve ser executada por
apenas uma autoridade e suas conseqüências devem estar
previstas no planejamento prévio de ação.
Além
disso, deve afetar a política do inimigo. Ou seja, neste
período do nazismo, a propaganda ganhou força como arma
de subversão. Acreditava-se que se, por um lado, a propaganda se
incumbia da criação de novos fatos e acontecimentos que
nutriam e garantiam a existência da sociedade
nacional-socialista, por outro lado ela deveria modelar
indivíduos que mantinham esse sistema em funcionamento.
PROPAGANDA
A
propaganda pode ser classificada, a partir da fonte aparente, em
três
tipos:
a) Propaganda
Branca: quando
a verdadeira fonte da mensagem se manifesta
abertamente, ou seja, a procedência é conhecida;
b) Propaganda
Cinza: quando
a propaganda não proporciona nenhum indício da
fonte;
c) Propaganda Negra: quando o material é
atribuído a uma fonte falsa.
DESINFORMAÇÃO
A
desinformação, outra forma clássica de
expressão da operação psicológica, pode ser
definida como uma informação clandestina, especialmente
elaborada e disseminada com um objetivo determinado.
Ela pode ser praticada através de três formas:
a) Boato, ou seja, notícia
anônima que corre publicamente sem confirmação;
b) Mensagem Capturada, ou seja,
informação que facilita ao inimigo o acesso a documentos
secretos;
c) Falsaverdade, ou seja, mensagem
que dá autenticidade a fatos inverídicos.
Fonte: http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=128
Consulta feita em: 19 de agosto de 2013
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