“Não há caminho para a paz. A paz é o caminho”
Mahatma Gandhi
Tive o privilégio de participar, como voluntário, no programa da UNESCO em favor da paz mundial. Na época, recebi, da Prefeitura de Nagazaki (Japão), um catálogo com fotos e informações sobre a explosão nuclear perpetrada em 9 de agosto de 1945 sobre a cidade, três dias depois do holocausto de Hiroshima, nos estertores da 2a. Guerra Mundial.
Do material recebido, uma equipe de universitários idealistas e eu, na coordenação, compusemos uma apresentação multimedia, rica em sons, efeitos e imagens, e propagávamos, em escolas da região, a importância de uma cultura de paz. O slogan, que movia todos nós, naquele gesto “quixotesco”, era: “como a guerra começa na cabeça dos homens, é na cabeça dos homens que precisamos erguer as defesas da paz”.
De lá para cá, o programa da UNESCO incorporou à cultura de paz componentes de desenvolvimento sustentável. Hoje, entre as prioridades do renovado programa, estão: a educação em direitos humanos, a boa governança, a prevenção de conflitos, a memória sobre o holocausto e a necessária construção da paz, em vários níveis.
Escolher viver em paz e aprimorar as relações é uma opção de vida que precisa estar ancorada, em vários níveis, na permanente busca de contato consigo mesmo, através de gestos de tolerância, solidariedade e gratidão, com os outros, e de respeito sustentável ao meio ambiente, pensando no agora e nas gerações futuras.
São Francisco de Assis, no século XIII, em sua memorável oração, ilumina todos nós com a mensagem: “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”. É dele, também, a máxima de que “para pregar a paz, primeiro você deve ter a paz dentro de você”.
A prática efetiva da paz exige um jeito diferente e elevado de ser. É preciso falar em paz, ouvir em paz, conviver em paz e deixar os outros viverem em paz.
Trata-se, também, de buscar uma grande síntese: a existencial, no plano do próprio indivíduo, a social no contexto coletivo, e a ambiental nas relações que estabelecemos com o meio.
Também do século XIII, o poeta persa Jalaluddin Rumi, contribuiu para romper as fronteiras de sua respectiva religião e, em nome da paz, dedicou-se à construção de um mundo melhor. Não há como aprofundar, neste espaço, a extensão da doutrina deste grande poeta islâmico e não é possível, sequer, resgatar aqui o itinerário de desenvolvimento espiritual por ele construído e proposto em seu legado.
Mas, é possível aprender algumas lições de Rumi, voltadas para o sentido da síntese, da unidade, da gratidão e da tolerância, que permeia a percepção do estado de bem-viver, uma das condições para se atingir a paz.
Uma das lições está no desafio em identificar o propósito da própria vida. É dele o aforismo: “Seja uma lâmpada, um bote salva vidas, ou uma escada. Ajude a alma de alguém a se curar. Saia de sua casa como se fosse um messias.”
Um verdadeiro messias é um propagador da paz que sabe dar o tom em suas mensagens, sem ameaçar e sem perder a ternura. Neste particular, sabiamente, Rumi destaca: “Levante suas palavras, mas não a sua voz. É a chuva que faz a terra florescer, não o trovão.”









