“…se as máquinas vão pensar como nós,
o que é bem provável, podem nos ultrapassar.”
Geoffrey Hinton – Universidade de Toronto
Participei do 5o. Encontro Anual da MetaRed TIC Brasil, no final de junho p.p. O evento tratou dos impactos da Inteligência Artificial (IA) na Educação Superior, nada mais oportuno nestes tempos em que a sociedade humana ingressa em uma nova era, tão essencial na evolução do processo civilizatório e ao mesmo tempo tão ameaçadora.
Muitas ameaças estão em curso, tanto assim que, em meu discurso, como coordenador de sessão, destaquei o desafio que temos de construir um Brasil mais digital, mais sustentável e principalmente menos desigual.
No período em que ocorria este importante evento, na Unisanta, acontecia em Toronto um encontro similar com representantes de 118 países preocupados, também, em “explorar tudo o que a florescente cena tecnológica tem a oferecer”.
O evento do Canadá, com dezenas de expositores, teve a participação de Geoffrey Hinton, da Universidade de Toronto e considerado “o padrinho da IA”. Aguardado por muitos, destacou que as ferramentas de inteligência artificial têm potencial para aumentar a produtividade em várias áreas de atuação, mas, em contrapartida, são um poderoso “motor” para elevar as desigualdades sociais.
Hinton, psicólogo cognitivo, alerta para a onda de desinformação trazida por esta tecnologia, destaca o potencial bélico na fabricação de “robôs de guerra” e, principalmente, dá ênfase à ameaça da progressiva eliminação de empregos na adoção desmedida de tecnologias de IA.
Estudo elaborado pelo Instituto Locomotiva, feito em parceria com a PwC, revela que cerca de 120 milhões de brasileiros não conseguem se conectar, habitualmente, à internet, destes, 34 milhões estão totalmente desconectados. É claro que o cenário é preocupante, é óbvio que com esta realidade jamais teremos um Brasil digital, com pessoas preparadas para avançar na sociedade do conhecimento e da inteligência.
Reforçando toda esta realidade, outro relatório, este divulgado pelo Fórum Econômico Mundial 2023, revela que a digitalização está eliminando várias funções de trabalho pelo mundo, 23% destas funções vão mudar e mais de 50% devem desaparecer até 2027.
A verdade é que, bem orientadas, as aplicações da IA agregam um avanço significativo no modelo de civilização, seja na área de saúde, segurança, educação e, principalmente, no combate às mudanças climáticas, tema subjacente à sobrevivência da vida em nosso planeta.
Há premência na busca de novas matrizes energéticas e de alternativas no enfrentamento de eventos climáticos extremos, neste sentido, tecnologias voltadas para o big data, o machine learning (aprendizado da máquina) e inteligência artificial são muito bem vindas.
A inteligência artificial e as desigualdades sociais são dois temas aparentemente desconectados, mas que merecem uma abordagem integrada e capaz de gerar resultados no contexto atual da sociedade brasileira.
Importante ter, no ambiente das Instituições de Ensino Superior (IES), preocupações com o binômio IA e desigualdades, afinal não é possível construir uma sociedade tecnologicamente desenvolvida e socialmente menos desigual sem educação de qualidade.
Que os benefícios gerados pelas tecnologias emergentes possam ser usufruídos por todos, indistintamente! O alerta está dado, a inteligência artificial (IA) tem, reconhecidamente, o potencial de aumentar o abismo social que vivemos. Um abismo insuportável!









