“A consciência é o último, o mais tardio,
daquilo que é orgânico; é, por conseguinte,
também o que há de menos acabado e de menos forte.”
Friedrich Nietzsche (A Gaia Ciência)
Entrevistada em um telejornal matutino, uma moradora de Olinda (PE) manifestou-se apreensiva com a possibilidade da tragédia, ocorrida no final de maio, se repetir. No episódio, foram atingidos 54 municípios, com mais de cem mortos e cerca de 71 mil pessoas desabrigadas, após oito dias de temporais.
Episódios desta natureza estão se repetindo com uma frequência inquietante. Já foram fustigados os Estados de Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco e logo outras unidades da federação poderão compor esta lista, como bem alertou o prof. Carlos Nobre, estudioso do clima, em recente evento promovido, on line, pela Revista Exame.
Durante a palestra, o renomado professor salientou que a crise pelo aquecimento global, em seus impactos negativos, será muito pior que os resultados deletérios da pandemia de covid19.
Nos olhos da moradora de Olinda, mencionada no início deste artigo, foi possível se perceber o medo. Na verdade, qualquer pessoa consciente da gravidade de todo este contexto, em escala local, nacional ou global, com certeza, experienciará uma desconfortável sensação de temor diante da verdade dos fatos.
Alguns estudos já revelam uma condição psicológica, ainda não muito bem reconhecida, mas identificada como “ansiedade climática” (eco-anxiety), uma resposta natural, associada ao medo e sustentada pela gravidade de tudo que a Ciência já está nos dizendo sobre os cenários futuros.
Em torno deste tema, recente publicação, no jornal britânico The Independent (8/junho/2022), refere-se a “um estudo mostrando que 78% das pessoas sentem algum nível de medo sobre as mudanças climáticas e, destes, 41% estão muito ou extremamente temerosas”.
A notícia enfatiza que o sofrimento parece ser maior quando as pessoas acreditam que a resposta do governo, diante da gravidade da situação, está sendo inadequada: uma condição que amplifica o medo.
No passado, refletindo sobre a importância do medo, Petrônio, escritor romano, cunhou a frase: “primus in orbe Deos fecit timor”, em outras palavras, o Grande Arquiteto do Universo criou o medo antes de se revelar.
Então, será que pelo medo estaremos resolvendo a devastadora crise climática?
Não é este o melhor caminho! A melhor alternativa, na agregação de forças vivas, no bom combate à crise climática, é a conscientização.
Conscientizar através de um amplo e inovador trabalho de educação formal e informal, que não esteja atrelado, somente, à propagação do conhecimento útil. Esta categoria do saber atende, apenas, aos interesses do sistema econômico vigente e prepara os jovens, das mais diversas áreas, para atuar nos limites dos sistemas empresariais.
A revolução pela conscientização deve ser feita pelas rotas do conhecimento realmente útil, essência de um modelo de Educação Humanística que torna os seres humanos mais equilibrados e contribui para que o mundo seja um lugar melhor para se viver.









