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Transição energética e Transição cognitiva

“Foi de dor o dia em que Diesel

concebeu seu motor sombrio …invenção vil.”

W. H. Auden – escritor britânico

Fala-se muito sobre transição energética. Os motivos são óbvios! Recente relatório da ONU, divulgado nos preparativos da COP30, revela que estamos caminhando para um colapso climático. Já se fala em um aumento da temperatura média do planeta em torno de 2,8°C, tendo como referência o início da era industrial. Os resultados do encontro de nações, em Belém, podem evitar se chegaremos neste valor estimado ou será um desastre sem igual.

Comentando ainda sobre o relatório supra citado, o secretário geral da ONU, António Guterres, destacou, recentemente, que superar a meta climática de 1,5°C é “inevitável” e que “o caminho para um futuro habitável torna-se mais íngreme a cada dia”. Antes, em Berlim, Guterres fez referências a um “suicídio coletivo”.

Fala-se muito sobre transição energética. A transição do carvão para o petróleo, por exemplo, teve fatores econômicos como motivo principal, seja na exploração, seja no manuseio ou transporte deste “óleo mineral”. E assim, ao longo da história da humanidade, vamos fazendo transições energéticas por fatores os mais diversos, sempre aumentando o potencial de transformação.

Desta vez, no entanto, a transição energética está associada a motivos muito mais severos e subjacentes a grandes perdas sociais e econômicas. A realidade é sombria, principalmente pelo agravamento dos desastres naturais com potencial de tornar inviáveis extensos territórios, importantes no abastecimento hídrico e no sustento de elevados contingentes populacionais. Além disso, algumas cidades correm o risco de deixarem de ser habitáveis. É o planeta em convulsão!

Fala-se muito em transição energética mas fala-se pouco, muito pouco, sobre a transição cognitiva: um ambicioso projeto de Educação voltado objetivamente para a consciência individual e coletiva que poderia, ou deveria, dar suporte na devida adoção da sustentabilidade e no enfrentamento efetivo da emergência climática.

 Na transição energética da atualidade, o foco é a mudança na forma como produzimos e consumimos energia, migrando de fontes baseadas em combustíveis fósseis para as fontes limpas com suporte em energia renováveis. O objetivo, como se propaga, é reduzir emissões de gases do efeito estufa, combater mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável.

Em outra frente de prioridades, a transição cognitiva poderia ter foco em mudanças que se fazem urgentes na forma como pensamos, aprendemos, processamos informações, geramos conhecimentos e principalmente nos conscientizamos. Tudo impulsionado pelo uso adequado e eficiente das tecnologias de informação, como a inteligência artificial, por exemplo.

Uma verdadeira revolução na gestão do conhecimento em todos os níveis da educação formal e informal. O objetivo desta transição é aumentar a capacidade de aprendizado e resolver problemas complexos. Enquanto a transição energética busca um futuro mais sustentável para o planeta febril, a transição cognitiva busca um futuro mais inteligente e participativo para a humanidade. Apesar das aparentes diferenças, ambas as transições estão interligadas e podem se reforçar mutuamente.

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