“Não há um porto seguro, futuro também não há, Mas faz tanta diferença quando ela dança, dança”
Geraldo Azevedo - Música “Dona da Minha Cabeça”
A Organização Meteorológica Mundial, com sede em Genebra (Suiça) divulgou em maio passado, em relatório anual, que há uma inquietante probabilidade do próximo ciclo do fenômeno El Niño levar “a um novo pico no aquecimento global” e isto “aumentará a possibilidade de novos recordes de temperatura”. Menciona-se com frequência a expressão: Super El Niño.
O El Niño é um fenômeno de aquecimento das águas do oceano Pacífico que se repete em intervalos de tempo, tendo o próximo ciclo pronto para acontecer, de agora até 2027. Neste período aumentará a probabilidade de ocorrência de ondas de calor, secas, queimadas, inundações: são os eventos climáticos extremos em várias partes do mundo. Já há um expressivo nível apreensão no verão europeu que se iniciou há poucos dias.
Não é de hoje que reconhecemos os efeitos deletérios das emissões de carbono no equilíbrio climático do planeta. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado em 1988 para tratar disto e mais recentemente, em 2007,reconheceu fatores culturais como estilo de vida e padrões de consumo como geradores de enorme impacto no agravamento do equilíbrio climático.
De lá para cá nada tem sido feito, efetivamente, para agregar todos em torno desta ameaça real. Ainda “fala-se” muito sobre os episódios que estão acontecendo, chega-se a quantificar o óbvio, mas pouco se ouve sobre uma mobilização como uma alternativa para se buscar depletivos na mitigação dos impactos no clima.
Em entrevista ao Jornal Valor Econômico (31/05/23) o professor e coordenador do Observatório da Inovação da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Arbix, destaca sobre necessidade de se estabelecer, urgentemente, um pacto multisetorial envolvendo setor público, empresas, universidades no enfrentamento da crise climática que se agrava. A sociedade devidamente consciente da escala do problema, com certeza, também deve fazer parte deste movimento. Fomos parte geradora do problema e temos o compromisso moral de sermos, também, parte da solução: a conta será paga por todos!
Sobre isto, o professor Arbix comentou que o Brasil pode ter um papel relevante, no processo de descarbonização da matriz energética e referindo-se a premência da mobilização em torno desta questão completa: “Mas é preciso convidar todo mundo para dançar”.
Chegamos na obra do compositor Geraldo Azevedo, “Dona da Minha Cabeça”: “não há um porto seguro, futuro também não há. Mas faz tanta diferença quando ela dança, dança”
É possível interpretar este xote romântico em um outro contexto. Longe da ideia original da música que trata de um estado de paixão, é preciso buscar ações estratégicas locais e globais para que todos possam “dançar a mesma música” no enfrentamento das mudanças climáticas: um problema que é de todos.
“Não há um porto seguro, futuro também não há…” se não formos capazes de aproveitar o potencial de energia verde que o Nordeste Brasileiro oferece. Além de superar os desafios dos processos de produção do hidrogênio verde é preciso superar, também, o que costumo chamar superioridade falsa.
Geraldo Azevedo em sua obra cultural combate incessantemente o preconceito ao nordestino típico nestes novos tempos









